Escrevo aqui o sonho que tive esta noite.
Final de ano e nosso apostolado se programou para os Exercícios Espirituais de
Santo Inácio de Loyola. Trouxemos um sacerdote de fora para pregar o retiro,
rezar a missa e nos atender com a direção espiritual e com o sacramento da
confissão. Encontramos um local distante da cidade para a realização do
retiro, muito oportuno, uma vez que o silêncio era o que mais precisávamos.
Nesta chácara havia uma capelinha para rezar e assistir a Santa Missa, um
salão para formação, refeitório, dormitórios, a casa do caseiro que morava com
sua esposa e filhos pequenos. Neste lugar também havia um riacho que corria em
pareio com a mata densa e fechada. O retiro contou com a presença de quase 100
pessoas, a maioria jovens. Estávamos num lugar lindo de uma natureza
exuberante. Ao mesmo tempo que respirávamos um ar puro, também contemplávamos
a beleza da santidade que nos estava sendo proporcionada com os exercícios
espirituais. Tudo transcorria bem, quando no último dia, o reverendo padre se
preparava para atender confissões e logo depois rezar a Santa Missa. Tudo se
encaminhava para um rito belíssimo, aquele assistido por grandes santos, que
percorreu os séculos, honrando Nosso Senhor Jesus Cristo com um culto perfeito
e conduzindo ao céus milhares de almas. A equipe de canto já estava preparada,
teria o acompanhamento do órgão. A capela receberia o sacerdote, e naquele
altar "versus Deum" aconteceria a renovação incruenta do sacrifício do
calvário. Fizeram uma grande fila diante do confissionário, quando notaram a
falta do padre, ele não estava mais ali. Onde está? O que aconteceu? Passaram
30 minutos e não se tinha notícia, então todos começaram a procurá-lo, pois
poderia ter se perdido na mata, enfim, não entendíamos como aquilo poderia ter
acontecido. Passaram-se as horas e eu avistei ao longe, aos pés de uma grande
árvore, próximo ao riacho, o reflexo de algo, percebi um brilho diferente, era
o pedaço de um tecido, mas seu brilho se apagava. Logo reconheci aquele tecido
e corri até lá para socorrer o padre, chegando ao pé da árvore ele estava no
chão, imóvel, ele estava vestido com a casula romana, pois iria rezar a Santa
Missa. Muito assustado percebi seu corpo petrificado, como se fosse um bloco
de pedra revestido por folhas. Todos os demais correram para ver o que havia
acontecido, sem entenderem aquele mistério, choravam. Percebi que ele não
estava morto, mas era uma cilada de satanás que não queria o padre rezando a
missa, nem atendendo confissões, por isso deu um jeito de imobilizá-lo.
Inclinei-me sobre seu peito, e em lágrimas, rogando a Deus que não permitisse
tal situação. Os demais rezavam o terço pedindo a Nossa Senhora que nos
ajudasse. Naquele momento a minha dor era grande, pois Deus sabe o quanto
necessitamos de um sacerdote. Meu maior desejo era confessar-me e poder
assistir a Santa Missa. Então eu disse: "Padre, me abençõe!" Ainda chorando,
sobre seu peito e de olhos fechados, ouço sua vóz tremula e piedosa: "Ego
absolvo peccatis tuis, in nomine Patris, et Filii, et Spiritui Sancti."
Prontamente levantei-me traçando sobre mim o sinal da cruz e disse "amem!".
Nesse instante ele reza fortemente o "Pater Noster" e todos acompanham, vi
então uma luz sobre ele e já estava desfeito aquele golpe malígno. Então eu
disse: "Padre, como o senhor está lindo". Com um sorriso, se levanta e brada
em alta voz: "Christus vincit!" Nesse momento todos estavam a cantar o "Kýrie
Eléison", em seguida cantam o "Glória in Excélsis". Então todos foram se
preparar para ir a missa que o padre rezaria na Igreja matriz da Paróquia
Nossa Senhora Auxiliadora. Quando cheguei para a missa, me deparei com a
Igreja tão bela como jamais esteve antes. Todas as senhoras e senhoritas
usavam véu, vestidas dignamente. Os homens de cança social e camisa, outros de
terno. O altar já não era "versus populum", mas "versus Deum", de uma beleza
sem igual. Finalmente eu teria a graça de assistir pela primeira vez a Santa
Missa no rito mais perfeito, mais belo e santo. Aquele mesmo rito onde o
sacerdote sobe no altar, dizendo: “Introibo ad altare Dei”. E todos
respondem: “Ad Deum qui laetificat juventutem meam”.
